Dicas de leitura para enfrentar este ano difícil

Senti uma profunda alegria quando fui convidado a participar dessa nova fase da Livro & Café. Antes de iniciar minha pequena contribuição, porém, creio que cabe aqui uma breve apresentação. Sempre fui aficionado por filmes, séries e livros dos mais variados. Há muito trabalho como barman aos finais de semana, há um pouco menos sou aspirante a fotógrafo e, mais recentemente, sou advogado.

Ultimamente, adquiri o hábito de ouvir podcasts – meu preferido é o Mamilos, com a Cris Bartis e a Ju Wallauer – durante os afazeres domésticos que não exigem grande atenção, ou ainda durante minhas caminhadas esporádicas.

Para além do fato de ser a minha primeira contribuição, me apresento por acreditar que esse misto “de tudo um pouco” que eu faço é também quem eu sou. Se sou um ser em constante mudança – espero, creio e acredito que para o bem -, isso se deve a todos esses encontros que tive com pessoas, direta ou indiretamente, e que, cada uma a seu modo, deixaram sua marca em minha personalidade. Inspirado nisso, e tendo em vista os tempos difíceis que nos foram dados para viver, decidi, então, fazer uma lista com alguns dos encontros que tive através dos livros e que mudaram o meu ser e que, acredito, podem ajudar a todos na formação enquanto seres humanos, e também nos ajudar na nossa preparação para enfrentar o que está por vir. Enfim, dicas de leitura para enfrentar este ano difícil. São elas:

O que é participação política? (Dalmo de Abreu Dallari)

Trata-se de um simples, mas não menos importante, manual sobre o que é participação política. O livro inicia apresentando a máxima aristotélica de que “o homem é um animal político” para nos mostrar que, querendo ou não, inevitavelmente exercemos política diariamente nas nossas vidas, visto que vivemos em sociedade e que sem ela não vivemos, e que por isso interessa a todos que todos sejamos bons políticos.
Depois ele nos apresenta as mais diversas formas de participação e como podemos fazer parte de algumas delas. O livro é bem pequeno e não esgota todas as formas de participação, portanto sinta-se à vontade para participar à sua própria maneira.
O importante, como o livro mostra, é se mexer, pois, como ele próprio deixa claro, decidir por não fazer nada já é uma forma – bem ruim – de participar! Compre na Amazon

Inteligência emocional (Daniel Goleman)

Ao mesmo tempo em que busca suprir uma necessidade de aprendizado, o livro também funciona como uma espécie de alerta: se é que algum dia qualquer povo tenha dado atenção a essa questão, no mundo contemporâneo nós não somos educados a conhecer e a desenvolver o nosso lado emocional, e isso pode ter consequências trágicas tanto para os indivíduos quanto para a sociedade.
O autor elencou no livro cinco habilidades-chave para desenvolvermos a nossa inteligência emocional, que basicamente são: conhecer as próprias emoções; buscar mantê-las em harmonia umas com as outras; nos motivarmos por meio delas; aprender a ter empatia com os outros; e, por fim, lidar com relacionamentos.
Dito isso, nem preciso citar exemplos do quanto precisamos educar nossas emoções para nos desenvolvermos enquanto sociedade! Compre na Amazon

Longe da árvore (Andrew Solomon)

Quando diagnosticado com dislexia, o autor recebeu todo o apoio de seus pais para superar os desafios que lhe apareciam pela frente Posteriormente, quando soube que era gay, a recepção já não foi a mesma. Mas você pode até se perguntar: o que uma coisa tem a ver com a outra? O autor explica: “ser gay e ser cego são coisas diferentes, mas ter uma individualidade que outros percebem como indesejável é idêntico”. No livro, o autor reúne relatos de diversos grupos heterogêneos (surdez, genialidade musical, autismo, gravidez por estupro, esquizofrenia, transgeneridade e síndrome de Down), em busca de aceitação enquanto, ao mesmo tempo, não necessariamente se aceitam entre si, para discutir as relações de doença, identidade e preconceito. Acredite, esse livro não é uma única grande lição de vida, elas são plurais e se apresentam a cada página. Ah, um último adendo aos desavisados: quando for lê-lo, prepare o seu lencinho. Compre na Amazon

Ter ou ser? (Erich Fromm)

Li esse livro há muito tempo, de modo que muita coisa já se perdeu e demanda uma releitura. Mas em um breve resumo, o livro nos apresenta dois paradigmas de vida, o modo “ter” e o modo “ser”, e discorre sobre a relação das pessoas com o mundo ao seu redor através desses dois modos. O autor faz um diagnóstico do mundo ocidental e atesta: somos uma sociedade doente, impregnada pelo modo “ter” e que vive uma busca ensandecida pelo acúmulo de conhecimento e coligindo amigos, amores e conquistas pessoais como se tudo e todos fossem meros objetos colecionáveis. Enquanto isso, deixamos de lado o modo “ser”, esquecemos a essência de tudo e, com isso, já não somos mais e apenas estamos nas coleções de outras pessoas. Compre na Amazon

Como as democracias morrem (Steven Levitsky & Daniel Ziblatt)

Preocupados com os rumos da democracia mais sólida do mundo, os Estados Unidos da América, cujos pilares democráticos foram abalados com a eleição de Trump em 2016, dois professores de Harvard decidem fazer um vasto estudo para desvendar o porquê de democracias terem ruído diante de governantes autoritários mundo afora em busca de meios para evitar que isso aconteça. O livro demonstra que democracias dependem de um conjunto complexo de fatores para sobreviverem, e destaca dentre eles duas regras não escritas: a tolerância mútua e a reserva institucional, que basicamente significam “concordar em discordar” e “submeter-se às regras do jogo”, respectivamente. Quando tais regras não são seguidas, a democracia é subvertida paulatinamente até que lhe reste pouco além das aparências. Deixo uma advertência de que qualquer verossimilhança dos fatos narrados no livro com a atual situação no Brasil e no mundo não é mera coincidência. Compre na Amazon

Bônus:

A arte de ser flexível (Walter Riso)

Coloquei o último livro como bônus nesta pequena lista, pois ainda não tive a oportunidade de lê-lo na íntegra, apenas alguns trechos para um curso de criatividade. Mas pelo pouco que li já super recomendo, tanto que coloquei ele na minha lista de leituras “urgentes”, uma espécie de “fura-fila” da lista completa para os livros que mais me despertam o interesse no momento. Na obra, o autor nos explica os três tipos básicos de mentes que existem: a rígida; a líquida; e a flexível. A primeira é dura como pedra e não se permite abrir para novas perspectivas. A segunda é excessivamente fluida e efêmera, não assume nenhuma forma nem substância. Já a última é um meio termo, que assim como a argila, se permite ser moldada e reformada, se necessário. Mais do que um manual para conhecermos o outro, ele é também um espelho para reconhecermos a nós mesmos e nos moldarmos, sempre para melhor, é claro! Compre na Amazon

Diogo Miguel

É advogado no escritório Martins Miguel Advocacia e Consultoria. Adora ler livros, assistir filmes e séries e ouvir podcasts. Além disso, também é aspirante a fotógrafo e se interessa por conversas sobre arte, cultura, educação, política e sociedade.

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