Livros para conhecer povos e culturas indígenas

É inegável o genocídio que os povos indígenas sofreram desde a chegada dos portugueses no Brasil, algo que ainda ocorre hoje, especialmente por conta das disputas movidas pelo agronegócio. Além das perdas de vidas humanas, também há um apagamento das histórias, costumes e mitos dos povos nativos. Os livros, assim, podem ser uma excelente ferramenta para o conhecimento e preservação da memória dos indígenas.

Confira uma seleção especial com livros de ficção e não-ficção. Também tem livro infantil, pois o respeito pelas culturas indígenas e o entendimento de sua importância para a História do Brasil começam na infância!

 

O nome e o tempo dos Yaminawa
Oscar Calavia Sáez

A obra conta a história de um pequeno grupo humano, composta a partir de uma documentação secundária e pouco expressiva somada a relatos locais. O livro busca a visão que os herdeiros deste grupo têm dessa história, e ainda o papel que essa visão exerce na vida social – um ser, um ver e um fazer entretecidos.
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O caminhar sob a luz: território Mbya à beira do oceano
Maria Ines Ladeira

O objetivo da publicação é discorrer sobre a ocupação Guarani Mbya no litoral do Brasil e adjacências, com base na importância social e religiosa que este complexo territorial representa. Além disso, apresenta informações sobre o grupo indígena, como classificação, localização e situação das aldeias, a partir das fontes históricas e de dados sobre as migrações recentes.
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Caminhos da identidade: ensaios sobre etnicidade e multiculturalismo
Roberto Cardoso de Oliveira

Livro que apresenta uma reunião de textos que adicionam novos temas a questões tradicionalmente abordadas, ao longo de mais de quatro décadas, por Roberto Cardoso de Oliveira. Na obra é tratada a temática da identidade étnica, a sua relação com os fenômenos culturais e com o mundo moral.
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A luta indígena no coração do Brasil
Seth Garfield

O autor Seth Garfield coloca os xavantes no foco dos embates políticos e disputas ideológicas que atravessaram o período entre o Estado Novo a Constituição de 1988. O livro enfoca a luta desses índios que clamam pelo direito de possuir a terra e de permanecer xavante.
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Filhos da cobra de pedra
Aloisio Cabalzar

Os Tuyuka fazem parte de um extenso sistema social situado no noroeste da Amazônia. Falantes de uma das línguas Tukano Orientais, convivem aí com seus parentes e aliados, com outros povos de origem Aruak e Maku e, mais recentemente, com brasileiros e colombianos – porque estão habitando nessa fronteira. Este livro trata das relações dos Tuyuka entre si e com os outros. De suas origens na Cobra Canoa, as malocas nas quais foram se transformando, seus nomes e cerimônias, os rios que percorreram e nos quais continuam navegando – essa etnografia percorreu alguns desses caminhos e seus sentidos.
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Políticas culturais e povos indígenas
Pedro de Niemeyer Cesarino e Manuela Carneiro da Cunha (organizadores)

Os 19 ensaios que compõem esta obra, ganhadora do Prêmio Jabuti 2015, procuram distinguir e debater as políticas culturais feitas para os índios, as feitas pelos índios e aquelas que de alguma maneira os envolvem. Os textos observam não apenas tais políticas, mas também seus pontos de cruzamento e seus efeitos conjugados, levando em conta a grande diversidade dos povos indígenas  do Brasil.
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Contos Indígenas Brasileiros
Daniel Munduruku e ilustrações de Rogério Borges

Na apresentação do livro Contos Indígenas Brasileiros, publicado em 2004, o autor, Daniel Munduruku, afirmou: “O Brasil é o país da diversidade cultural e linguística”. Aqui, em nossas terras, convivem mais de 250 povos diferentes, falando 180 línguas e dialetos, morando em todos os estados desse imenso país. São mais de 750 mil pessoas, segundo os últimos dados do IBGE, que buscam manter acesas as chamas de sua tradição e o equilíbrio de suas próprias vidas. Os oitos contos selecionados pelo autor, a partir de um critério linguístico, têm a intenção de retratar, através de seus mitos – o roubo do fogo, a origem do fumo, depois do dilúvio, entre outros –,a caminhada de alguns de nossos povos indígenas do norte ao sul do país – Guarani, Karajá, Munduruku, Tukano, entre outros. A leitura dessas histórias dá às crianças uma rica visão de nossa herança cultural, mostrando que é muito mais valiosa do que possa imaginar.
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O primeiro homem e outros mitos dos índios brasileiros
Betty Mindlin

A antropóloga Betty Mindlin recolheu nove mitos de seis povos indígenas, com línguas e crenças distintas, que nos mostram a riqueza das explicações dos índios sobre a criação do mundo e a relação do homem com a natureza. Luana Geiger pinta a simplicidade da iconografia corporal dos índios.
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A Terra dos Mil Povos: História indígena do Brasil contada por um índio
Kaka Werá Jecupé

Este foi o primeiro livro escrito por um autor indígena brasileiro que li e a obra me apresentou novas possibilidades de ver os índios na história e na literatura. 
O texto mostra o poder da palavra na tradição ancestral indígena, aponta a pluralidade de etnias, conta como os povos nativos leem o mundo, constroem suas identidades e suas relações com os não índios, revelam respeito pelo poder criador e pela terra. O livro é um relato individual e ancestral, mas muito mais que isso: trata-se de um convite para conhecermos a história tribal brasileira, a contribuição e presença dos povos indígenas no Brasil de hoje.
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A Terra sem Males: mito guarani
Jakson de Alencar

O mito guarani de A Terra sem Males é o foco desta obra direcionada para o público infantojuvenil. À simplicidade da narrativa somam-se a complexidade do mito e sua relevância na cultura guarani. O leitor não índio, possivelmente, construirá um diálogo de parte do mito com a narrativa bíblica do Dilúvio, mas a narrativa abre as portas para uma discussão sobre as especificidades da cultura desse povo. Informações que seguem a narrativa são acompanhadas por grafismos geométricos, que dialogam com formas de expressões indígenas. Questões diversas, como a história dos guaranis, a resistência e diversidade indígena no Brasil, as migrações e a demarcação das terras podem ser aprofundadas, servindo como propostas para pesquisa.
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Kurumi Guaré no Coração da Amazônia
Yaguarê Yamã

De autor amazonense, a obra narra aventuras infantis e descreve o povo maraguá. Além de acompanhar registros da memória do narrador, uma auto e cosmorrepresentação, e ensinamentos dos povos da floresta, o leitor pode observar a composição multimodal do texto e os símbolos maraguá. Grafismos indígenas constituem uma poética que traduz uma vontade política de expressão de identidade, contam histórias complementares e podem sinalizar a origem do texto na tradição ancestral. A compreensão da obra envolve uma leitura dos símbolos maraguá, do Glossário Nheengatú e de termos regionais amazônicos. Há um enredo nos desenhos da obra de Yamã que lança o leitor para uma rede de significados construídos na interação entre palavra e imagem.
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Wamrêmé Za’ra: Nossa palavra – Mito e história do povo xavante, de Sereburã
Sereburã; Hipru; Rupawê; Serezadbi; Sereñimirâmi

“Ouça o que dizem os antigos. Preste atenção na fala dos velhos sábios, pois eles guardam a Palavra Criadora.” Esta frase de Ailton Krenak, inserida em uma carta nas páginas iniciais desta obra, marca o tom do texto xavante. Um envelope contendo a carta inclui cartões-postais com ilustrações que narram histórias encontradas nos objetos de arte dos povos indígenas. Como um prefácio, as imagens anunciam as palavras dos membros mais velhos da aldeia Pimentel Barbosa. Suas vozes foram gravadas e traduzidas para a escrita por xavantes do Núcleo de Cultura Indígena. Em edição bilíngue, o texto é acompanhado por desenhos de jovens artistas da aldeia, fotos dos xavante e dos warazu, não índios, e por um panorama histórico que vai do século XVI ao século XX.
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Sepé Tiaraju: Romance dos Sete Povos das Missões
Alcy Cheuiche

Há obras que buscam reconstruir, pela ficção, figuras indígenas heroicas. É o caso do romance que, narrado pela perspectiva de um jesuíta, em um vaivém da memória, destaca a resistência dos Sete Povos das Missões (RS) e de um dos líderes e guerreiros indígenas do Sul do Brasil, Sepé Tiaraju. No texto, Tiaraju é apresentado pela visão do colonizador, Michael, ou Padre Miguel. Seu olhar constrói o herói indígena e a história da colonização dos povos indígenas pela missão catequizadora dos jesuítas e pela política europeia. Documentos históricos, como os tratados de Tordesilhas e de Madrid, além de conflitos e migrações indígenas formam o contexto da obra.
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O Karaíba: Uma história do pré-Brasil
Daniel Munduruku

No romance O Karaíba, Munduruku narra, em linguagem poética, a história de povos que viviam numa terra ainda não chamada Brasil, numa época na qual os índios não eram assim chamados. Não haviam sido colonizados, mas antecipavam mudanças vindas do contato com europeus. O texto nos apresenta essa terra como um personagem com um passado, com povos que vivem à sombra de uma profecia anunciada pelo velho Karaíba, de que “um grande monstro” viria e destruiria tudo. A obra preenche uma lacuna histórica e literária e apresenta costumes, crenças e leituras do mundo pela visão cultural indígena. Assim, constrói vozes para povos que não tiveram sua palavra registrada e enfrentaram a crueldade da colonização europeia e da escravidão.
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Boca da Noite: Histórias que Moram em Mim
Cristino Wapichana

Este livro ganhou o 3º lugar do Prêmio Jabuti e o prêmio de melhor ilustração na FNLIJ, em 2017. Não é à toa que este livro foi tão premiado, o texto cativa e as ilustrações nos transportam para o universo indígena em segundos. A história traz à tona tradições indígenas e a viagem do sonho. Um livro que vale a pena ser lido e que se tornará facilmente um dos favoritos do seu pequeno!
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Um dia na aldeia
Daniel Munduruku

Da tribo Munduruku, este livro conta com detalhes a história de um menino que a ela pertence. Desde seu despertar com o raiar do sol, passando pela caça por alimento, uma aventura com caçadores, até a hora da história – sim, índios também têm a hora da história que geralmente falam de lendas. O livro também conta com glossário nas últimas páginas, o que dá abrangência ao vocabulário da obra.
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As Fabulosas fábulas de Iauaretê
Kaka Wera Jecupe

Acompanhadas por desenhos de Sawara, filha de 11 anos do autor, as fábulas aqui selecionadas falam de medo, coragem, dúvida, amor, morte, paz, oportunidade, erros e acertos que enfrentamos na vida – divertem e emocionam adultos e crianças.
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Aldeias, Palavras e Mundos Indígenas
Valéria Macedo

Yano, Ëjcre, Üne, Oo — por incrível que pareça, essas quatro palavras significam a mesma coisa. Representam, na língua de quatro povos indígenas diferentes (os Yanomami, os Krahô, os Kuikuro e os Guarani Mbya), o vocábulo casa. Através delas e de muitas outras palavras, neste livro o leitor é convidado a conhecer um pouco da vida e dos costumes desses grupos: onde moram, como se enfeitam, suas festas, sua língua.
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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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