Balzac e a costureirinha chinesa (Dai Sijie): uma história sobre o poder dos livros

A cultura e a política do oriente é um caso difícil de compreender. Não que do lado de cá seja simples, mas a distância e outros fatores de informação e estudo são acessados pelo nosso olhar ocidental e por isso, somente, já é motivo para distorções e compreensões equivocadas. Por isso, Balzac e a costureirinha chinesa, do escritor chines Dai Sijie é uma boa fonte quando se quer buscar os efeitos de uma governo totalitário na vida das pessoas comuns. No caso específico dessa história – com pitadas autobiográficas, vamos conhecer a vida de três adolescentes que estão vivendo sobre as duras amarras de um sistema que não os permitem viver de uma maneira humana e minimamente saudável.

Narrado por um deles, a obra vai abordar a opressão nos conhecidos “campos de reeducação” criados por Mao Tsé-Tung nos anos 60 e também as diversas capacidades humanas de se reconstruírem a partir de situações extremas.

O narrador da obra e o seu melhor amigo chegam a um lugar inóspito. Mal possuem um lugar para dormir, mal possuem alimentos; porém os dois têm habilidades para encantar por meio das palavras e da música. Assim, eles conseguem reduzir o próprio sofrimento e o dos outros por colarem arte em suas rotinas.

A costureirinha surge na história como um outro ponto que modifica a realidade deles, pois é com a amizade dela que eles adquirem mais forças para realizar seus pequenos desejos e transgressões: roubam livros, assistem a filmes proibidos etc.

A narrativa possui uma simplicidade muito bonita. Nas entrelinha mora a força e, ao mesmo tempo, uma certa ingenuidade desse narrador que possui um pouco do próprio autor da obra. Entretanto, em alguns momentos, talvez por conta da tradução, algumas frases, para demonstrar os sentimentos e sensações das personagens, vão para um caminho banal, o que pode nos faz perder um pouco o ritmo e o envolvimento com a história. Mas o que segura o enredo do romance é o fato de ser um livro sobre livros. Ou seja, o leitor ficará contagiado pela história dos adolescentes em torno da literatura, do conhecimento e das possibilidades provocadoras que todo livro possui.

O livro traz excelentes reflexões sobre manipulação, suborno, privilégios e também lida com temas polêmicos, como o aborto. A cada página, o leitor terá o prazer de se divertidos com as personagens, se emocionar e vibrar com um final que surpreende e traz um maior sentido a toda obra.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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