Diário de Viagem #8 Rodmell, Lewes, East Sussex, Monk’s House, Virginia Woolf

No ano passado, assim que a ideia da viagem começou a tomar formas mais sérias, eu imaginei que eu poderia ir até a casa de Virginia Woolf. Não era um sonho antigo, mas era algo que, óbvio, se a oportunidade estivesse ali na minha frente, eu iria de qualquer jeito.

A princípio, a ideia de ir de Londres até Monk’s House era de trem, assim como Virginia Woolf fazia, porém, eu tive o prazer de conhecer o Diego Lourenço, brasileiro que mora em Londres e, assim como eu, ama Virginia Woolf. Fui até a casa dele no dia 23 de agosto e de lá partimos para a nossa aventura, de carro, para Monk’s House, a última casa que Virginia Woolf viveu.

O local, preservado por voluntários, permanece com os móveis e objetos que pertenciam a ela e Leonard Woolf.

Durante a viagem, ouvimos Florence and The Machine, Alanis Morissette, Michael Jackson e outros bons sons. Conversamos sobre escritores, sobre livros, sobre escrever. Paramos em postos de gasolina na beira da estrada, numa praia, curtimos o lindo visual das plantações inglesas e, de repente, ali estava eu, naquelas ruas que tantas vezes naveguei pelo Google Maps a fim de ver a casa da minha escritora preferida. Estávamos no caminho certo, logo, logo eu estaria pisando em Monk’s House! Um sonho!

O lugar permanece intacto, como se ainda fôssemos encontrar pelas ruas pessoas vestidas como naquela época. Um silêncio, um vento gelado ajudou para eu me portar como se eu fosse mesmo encontrar Virginia Woolf. E conversar com ela e dar um abraço nela e dizer “você mudou a minha vida!” Porque é isso mesmo.

Temos um pequeno vídeo do primeiro momento: estacionamento, a lojinha de souvenir, e a sala da casa. Vejam:

Quando entrei lá, passando pela pequena porta de madeira, à direita há um pequeno jardim, do outro lado, caminhando um pouco mais para a esquerda, já estamos em contato com a frente da casa e… meu Deus! É tão lindo!

Na porta, uma senhora muito simpática nos deu as boas-vindas e lá fomos nós. Eu não chorei, meu coração não acelerou, eu fiquei num total estado de contemplação ao ponto de só quando retornei ao Brasil e revi as fotos que me emocionei, “eu fui mesmo para Monks House”.

Eu consegui tirar fotos, de tudo, de cada detalhe, de TODOS os livros que tinham por lá, em todos os cômodos. Eu fotografei as poltronas, as fotografias dela e da família em cima da lareira, a escrivaninha de Leonard, a sala de jantar, a cozinha, o quarto dela…a porta da cozinha, o chão, tudo, tudo. Fiquei pior que criança num dia de Natal.

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Um momento especial foi me aproximar do local onde Virginia Woolf escrevia. É uma edícula que fica ao lado esquerdo do grande jardim, com uma vista linda e…fechada. Visitantes não podem entrar ali. Entendo, era lá que a arte dela brotava de suas mãos. Temos uma visão da parte interna apenas por um grande vidro, que dá pra ver todo o ambiente: a mesa, a cadeira, papéis, canetas e até os óculos dela ali. Era como se eu tivesse admirando um belo altar, de uma santa que não mais está ali.

O jardim, grande, permite um gostoso passeio. Bancos de madeiras, usados pela Virginia Woolf em momentos de diversão com a família e amigos permanecem lá. Sentei em todos, um por um. Ora, me deixem! 😛

Procurei, ao meu modo, imaginar Virginia Woolf por ali, a olhar onde ela também já olhou e isso me trouxe muita felicidade. Em nenhum momento eu me senti triste, pois, eu nunca pensei em Virginia Woolf e me entristeci, mesmo sabendo da morte dela, tal como foi, ela realmente é muito importante para mim, num sentido muito além dos livros, da literatura. Ela me aconselhou e me trouxe paz. Pisar naquele chão foi como um agradecimento, “eu vim aqui por você e está tudo bem”.

Quando saímos de lá, fomos numa lojinha ao lado da casa, que vendem lembrancinhas de Monk’s House. Eu achei que deixaria por lá todas as minhas libras, mas não há tantas coisas (ufa!), mas é claro que comprei algumas: diversos postais, uma caneca e uma vela.

O Rio Ouse fica ali perto, tentamos ir, mas não tivemos sucesso e também eu não fiz questão de procurar o rio, acho que senti medo de me entristecer. Caminhamos até os limites da casa, havia uma grande vala que não dava para pular. Tentamos contornar a casa de carro, mas nos deparamos com um portão. E fim.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

5 Comentários
  1. imagino sua emoção Francine, adoro ler o que você escreve sobre Virginia Woolf. Ela é tão especial, tão sublime, ler sobre sua visita a Monks House me fez estar um pouco mais próxima dela. Obrigada!

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