Persuasão (Jane Austen)

Cena 1: Duas amigas numa festa, Maria e Ana, que comenta estar interessada no Fred, lá do outro lado do bar. Maria, que se mostra sempre antenada com o mundo e também preocupada com a sua amiga Ana, mais nova e que não entende muito “sobre a vida”, diz: esse cara não é para você, pois ele é pobre”.

Cena 2: Fred, um cara gente boa e sonhador está tomando uma cerveja sozinho no bar, quando percebe lá do outro lado uma moça tão bonita… Decide ir lá conversar com ela e, surpreso, percebe que além de bonita, ela é uma mulher incrível. Mas mesmo com tudo ao seu favor, pois Ana percebeu também o quanto Fred era bacana, um dia, após muitas conversas no WhatsApp, Cláudia informa Pedro que não tem mais interesse algum nele e que, por isso, vai bloqueá-lo das redes sociais.

 photo Persuasatildeo_jane-a_zpsbmmeicwp.jpgE assim começa Persuasão, romance de Jane Austen que investiga as relações de amizade e o quanto elas podem ser prejudiciais, persuasivas, capazes de transformar toda uma vida. É claro que as duas cenas que relatei é a minha ficção, como uma versão para os dias atuais da clássica história de Anne Elliot e Frederick Wentworth, escrita por Jane Austen em meados de 1816.

Anne Elliot, ainda uma garota incapaz de questionar, concorda com sua amiga Lady Russel sobre um possível casamento como o Sr. Wentworth ser um mal negócio para ela e sua família, que já não conta com tanto dinheiro e prestígio.

Oito anos se passam até que Anne, mais madura, com 27 anos, reencontra Frederick e a partir desse encontro ela começa a se questionar de sua primeira decisão, pensando sobre como seria a sua vida se tivesse dito sim ao rapaz que agora é um prestigiado oficial da Marinha.

Nos romances de Jane Austen o que mais me agrada é a linguagem que ela usa para narrar a história. Cada frase é muito bem aproveitada para aumentar o conhecimento do leitor em relação a cada personagem. Um vocabulário muito rico, ao mesmo tempo claro, que transforma as relações do cotidiano em grandes momentos que definem a vida toda de seus personagens.

Em Persuasão, o segundo romance que li dela, me incomodou o início da história, pois a leitura ficou um pouco arrastada. E o que me fez não desistir era o fato de eu estar diante de um clássico que por isso merecia mais uma chance. Fui feliz na escolha de continuar a leitura, pois a história ganha força à medida que Anne Elliot começa a pensar por ela mesma, começa a se transformar realmente numa pessoa capaz de decidir e opinar sozinha. No início do livro ela mais parece uma bonequinha de porcelana, que me causou muito sono.

Mas, enfim, Jane Austen é Jane Austen, uma leitura que sempre é válida, principalmente quando conseguimos compreender que o texto diante de nossos olhos foi escrito há séculos e mesmo com as diferenças sob o nosso mundo de hoje, o ser humano permanece igual: alguns em busca da felicidade, outros do poder, outros ainda, sem se darem conta do que estão fazendo aqui.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

5 Comentários
  1. Jane Austen é sempre uma grata surpresa. O que gosto em seus livros é a crítica social, sempre permanente. E a capa da sua edição é linda.

    1. Oi, Maria!
      Sim, realmente a Jane Austen tinha um olhar muito especial, talvez seja isso que faça a obra dela tão atual.
      Obrigada pela visita.
      Bjos!

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