Não tem “mas” quando a violência é o estupro

É doloroso perceber que em certas questões, os avanços da humanidade são enormes, porém, a violência contra a mulher ainda existe, como se ainda vivêssemos no início dos tempos. E não é algo esporádico ou diário, é por minuto.

Segundo pesquisas, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. E sabemos também que muitas mulheres não denunciam o abuso, por medo, vergonha, dúvida sobre o atendimento na delegacia ou por não saber que está sofrendo um abuso. Ou seja, os dados são muito piores…

Recentemente, uma garota do Rio de Janeiro foi estuprada por 33 homens. A denuncia aconteceu porque filmaram o estupro e divulgaram na internet. Assim, diferente de muitos casos, houve a comoção das pessoas, a exposição da mídia e junto disso, veio também a dúvida quanto ao estupro (inclusive do delegado que apurou o caso), o que deixa toda a história ainda mais chocante e triste.

Estupro é o ato de abusar sexualmente de outra pessoa, seja de forma violenta ou quando a vítima não está em sua total consciência (desacordada, bêbada, sob o efeito de drogas, etc). Se a vítima for criança, é estupro de vulneravel, ou seja, uma pessoa que não sabe o que está acontecendo, independente se ela diz sim ou não ao ato.

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(Da página Brasil Feminista)

Outro ponto importante a ser destacado é que a violência continua existindo independente da situação. Resposta a esse crime tão chocante, como “mas ela gostava de fazer orgias”, não diminui a situação. Afinal, homens e mulheres podem fazer orgias, podem praticar sexo com mais de 30 pessoas no mesmo dia, se quiserem. Mas se essa pessoa não quiser mais fazer isso, mesmo no meio de uma orgia, e ela for forçada de qualquer maneira (acordada, drogada ou desacordada) a continuar o ato, é estupro. Assim, qualquer tentativa de desligitimzar o estupro é mais uma violência contra a vítima. A culpa nunca é da vítima. A culpa é do estuprador!

O estupro, no entando, não é o único jeito de violentar a mulher. Existe também a violência psicológica e social. Relacionamentos abusivos geram a dependência psicológica e a vítima mal consegue raciocinar sobre a situação em que se encontra. Violência social contra a mulher é tudo isso junto e mais um pouco: o sistema patriarcal a qual estamos inseridos é, automaticamente, violento com a mulher, pois a sua moral, o seu corpo e a sua ética são constantemente colocados em discussão e dúvida, para alimentar o sistema machista em que vivemos.

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Assim, temos o termo: Cultura do Estupro, que existe porque a mulher é julgada por diversos motivos e se o seu comportamento não está dentro de algum padrão ou desejo do outro, há o consenso sobre o direito ao corpo dela.

De um jeito mais simples, porém, tão dolorido também, está o exemplo quando um homem considera a mulher “vagabunda” por usar uma saia curta. O exemplo mais cruel, é o estupro como consequência de um ato da mulher: ela provocou, ela pediu, ela “não se dá o valor”, ela gosta de funk, ela conhece bandidos, ela usa drogas, ela anda sozinha à noite, ela usa roupas vulgares. Tudo isso é desculpa para o estuprador continuar com os seus atos, como se a sociedade desse autorização ao homem para realizar o seu desejo.

Ainda sobre a garota estuprada por 33 homens, a apuração da história só tomou a seriedade devida quando foi passado para uma delegada (que ainda está trabalhando no caso), pois, a garota relatou que ao contar da violência que sofreu, recebeu a desconfiança do delegado que perguntou a ela algo como “mas você não está acostumada a isso?”. Neste aspecto, fica a indignação: por quanto mais tempo, a humanidade ficará acostumada a violência?

Basta!


Abaixo a lista de alguns livros que li/estou lendo que ajudam a entender a Cultura do Estupro, a Violência contra a mulher (física e psicológica) e o feminismo (que AINDA gera erro na interpretação de seu significado):

Ficção/Romance/Contos:

Não-ficção:

Foto em destaque: Facebook Grafites Feministas

Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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