10 séries para quem se interessa pelo futuro

Gosta de séries sobre o futuro? Então você chegou ao post certo!

Chegamos a 2020! Quem diria… Quando eu era criança, para mim essa data representaria um outro planeta, uma outra vida, algo parecido com o desenho animado dos Jetsons, com seus robôs, carros voadores e cidades flutuantes.

Bem, o futuro chegou e, apesar de todos os avanços, não parece tão promissor assim, rs. Muito do que havia de utopia virou distopia e a arte – sempre a arte – consegue refletir sobre os futuros que estamos construindo. Sim, futuros: para alguns, uma chance de potencializar ao máximo a capacidade do ser humano por meio da biotecnologia, o que solucionaria diversos desafios; para outros, dias em que as desigualdades serão ainda mais violentas e a humanidade de alguns não terá qualquer valor.

Seja como for, algumas séries já dão um certo gostinho dos futuros próximos ou não, distópicos ou não, que nos aguardam.

Black Mirror

Dentre as séries sobre futuro, talvez Black Mirror seja a mais famosa e mais perturbadora, tanto que quando vemos algo muito tecnológico e assustador já dizemos que “isso é muito Black Mirror”. Brincadeiras à parte, a série, que já está em sua quinta temporada na Netflix, apresenta episódios individuais, cujas narrativas discorrem sobre inovações tecnológicas, crises humanas, sociedades modernas e por aí vai. Com o advento das redes sociais, fake news, bolhas virtuais etc., é impossível não perceber a assustadora realidade de algumas das histórias de Black Mirror que, em tese, se passariam no futuro. Ou seja, assistir a essa série é se preparar um pouquinho para o nos aguarda – e as perspectivas não são muito boas, não.

 

The Handmaid’s Tale (O conto da aia)

Gilead é agora! E é com dor e ódio no coração que admito isso. Inspirada na obra-prima distópica de Margaret Atwood, O conto da aia, a premiada série acompanha a trajetória de June, que é retirada violentamente da sua vida normal, de casada e de mãe, para viver como criada sexual do Comandante Fred numa nova sociedade teocrática cristã: República de Gilead, que um dia foi os Estados Unidos da América. Nesse novo Estado, as divisões sociais em castas são fortemente marcadas e às mulheres só cabem os papéis de Esposas, Martas (trabalhadoras domésticas), Tias (que treinam e punem as aias) e Aias, que vivem numa espécie de escravidão reprodutiva para gerar filhos às famílias mais poderosas em meio a uma suposta crise de infertilidade no mundo. O interessante aqui é pensar em um futuro que não é marcado pelos avanços tecnológicos, mas por um retrocesso social marcante: ideais políticos conservadores, militarização, autoritarismo etc. Pensando bem, sempre foi Gilead e só nos resta aprender com June a lutar.

Leia mais: O Conto da Aia (Margaret Atwood): necessário, porém, angustiante

 

Years and Years

“Este é apenas o começo”

Será que tecnologia e os seres humanos evoluem na mesma velocidade? Se depender da história de Years and Years, a resposta é não. Passada no Reino Unido, a série produzida pela BBC e HBO conta a história da família Lyons ao longo de 15 anos, de 2019 até 2034. Através das notícias e acontecimentos com os Lyons, acompanhamos a ascensão de uma representante política populista de extrema-direita (a maravilhosa Emma Thompson), enquanto no pano de fundo vemos uma diversidade de questões que vão moldando o mundo através de transformações tecnológicas, catástrofes globais, uso de armas químicas, xenofobia, colapso financeiro, crise trabalhista, transhumanismo, entre outras polêmicas. Um mundo que retrocede e se separa ao lado de avanços da tecnologia. Nada mais atual, não é?


 

The Feed

The Feed é um série de drama e suspense psicológico britânica baseada no romance homônimo de ficção científica de Nick Clark Windo. A série se passa em Londres em um futuro próximo e segue a família britânica de Lawrence Hatfield, o homem que inventou uma tecnologia onipresente chamada The Feed, ou “A Fonte”. Implantado no cérebro de quase todas as pessoas, The Feed permite que as pessoas compartilhem informações, emoções e memórias instantaneamente. Mas as coisas começam a dar errado e os usuários se tornam assassinos; só resta à lutar para controlar o monstro que desencadearam. O que parece estar num futuro distante já faz parte da nossa realidade: a falta de privacidade, a entrega de dados para grandes corporações (oi, Facebook!), o uso implantes cerebrais conectados a dispositivos (como aqueles em pesquisa pela Neuralink de Elon Musk) e por aí vai.

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Westworld

Essa série é para explodir mentes! Em um primeiro momento, achei que era mais uma história de Velho Oeste americano, com uma mocinha bonita que precisava ser salva pelo forasteiro. Amada, felizmente eu estava enganada! A narrativa se passa em um parque temático chamado Westworld, que simula o Velho Oeste e é habitado por robôs com inteligência artificial e assustadoramente semelhantes aos seres humanos. No parque, os ricos visitantes podem vivenciar todas as experiências do lugar sem qualquer freio moral, regras etc., então já dá para imaginar pelo que passam os robôs. Mas as máquinas começam a desenvolver consciência e questionar suas existências e a do próprio parque. E aí fica a grande pergunta da produção: será possível uma inteligência artificial tão desenvolvida? Se sim, quais as consequências para a humanidade?

 

O Homem do Castelo Alto

Aqui estamos diante de um exercício histórico interessante: o que teria acontecido se os Aliados tivessem perdido a Segunda Guerra Mundial e os nazistas pudessem, finalmente, dominar o mundo? Na produção da Amazon, os personagens estão divididos entre Nova York, dominada pelo Terceiro Reich, São Francisco, sob influência do Japão, e uma zona neutra. A história envolve conspirações entre os dois vencedores, agentes duplos infiltrados em organizações, e a luta da resistência para coletar e enviar cópias de um filme que mostra uma versão bem diferente do fim da guerra, películas produzidas por um misterioso homem do castelo alto. Uma série inspirada no livro homônimo de Philip K. Dick, que joga com o passado e futuro de uma maneira interessante e que nos ajuda a refletir sobre as consequências do avanço de regimes autoritários pelo mundo.

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3%

Produção nacional na área! Em um futuro não muito distante, o planeta é um lugar devastado, miserável. Aos 20 anos, todo cidadão recebe a chance de passar por uma rigorosa seleção para ascender ao Maralto, uma região brasileira farta de oportunidades. Porém, apenas 3% conseguem chegar lá. A série já está em sua terceira temporada, com conclusão prevista em 2020. A produção, segundo a própria Netflix, chegou a ser um dos produtos de língua não inglesa mais vistos dentro dos Estados Unidos, o que acabou dando prestígio à obra.

 

The 100

The 100 é uma série pós-apocalíptica do canal norte-americano The CW livremente inspirada na saga literária de Kass Morgan. A trama se passa 97 anos depois de um apocalipse nuclear que dizimou o planeta Terra e destruiu a civilização. Os únicos sobreviventes foram os 400 habitantes de 12 estações espaciais que estavam em órbita durante o acontecimento. Depois de tantos anos, a população das aeronaves aumentou e os recursos estão quase acabando, o que pode significar o fim dos seres humanos. Por isso, os comandantes enviam para a Terra cem jovens prisioneiros, na tentativa de testar a situação no nosso planeta e descobrir se existe a possibilidade de retorno ao local. Além de lidarem com as próprias diferenças, o grupo precisa se unir para enfrentar os perigos que os aguardam por causa da radiação. Para complicar, tudo indica que eles não estão sozinhos. A história pode parecer muita ficção científica, mas não custa lembrar que a ameaça nuclear e a destruição do planeta (por n motivos) não são fantasias, assim como a ideia da humanidade morar em estações espaciais e colônias na Lua e Marte.

 

Marte

Os projetos para a colonização de Marte estão cada dia mais desenvolvidos e eu não nego que adoraria uma passagem só de ida para o “planeta vermelho”. Na série Marte, com ares de documentário, vida e ficção se misturam em torno da jornada de uma tripulação que deseja colonizar o planeta em 2033. A produção também traz especialistas no tema que comentam sobre as condições de vida e sobre os avanços nas pesquisas e desenvolvimentos no caminho para a viagem da Terra a Marte, como entrevistas com o astrofísico Neil deGrasse Tyson e o fundador da SpaceX, Elon Musk.

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Colony

Em um futuro próximo, as as maiores cidades do mundo foram ocupadas por uma força alienígena e cercadas por muralhas impenetráveis. Para proteger sua família, um ex-agente do FBI aceita a chantagem de colaborar com o governo para derrubar um movimento de resistência crescente na Los Angeles. Um drama naturalista sobre escolhas difíceis, no qual as pessoas terão de ficar juntas para sobreviver a uma ameaça existencial. Infelizmente a produção foi cancelada, mas suas três temporadas disponíveis na Netflix nos permitem pensar sobre um mundo marcado por muros, por divisões, por uma inversão de valores (os EUA sendo divididos e à mercê da vontade de uma força invasora – uma crítica à ação do governo estadunidense em países estrangeiros, especialmente no Oriente Médio). Não é à toa que a série foi classificada por Stephen King como “subversiva”: ao jogar com um futuro distópico, o enredo é mais do que atual.

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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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