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15 adaptações de livros clássicos para HQs

As histórias em quadrinhos ganham cada vez mais leitores de todas as idades e muitas HQs bebem de uma fonte rica: os livros clássicos!

As histórias em quadrinhos, também conhecidas como HQs, ou graphic novels, tornaram-se um dos gêneros textuais mais difundidos e consumidos. E engana-se quem pensa que só crianças e jovens leem as HQs! Há décadas que o mercado conta com produções que agradam todas as idades, afinal, como não pensar na Mafalda, do Quino, que encantou e encanta gerações, ou no clássico Maus, de Spiegelman, com seu retrato dos horrores do Holocausto?

E há também as adaptações dos clássicos da literatura, que ganham contornos, cores e vida nas releituras dos quadrinistas. Essas HQs, além de oferecerem uma revisita a livros que já foram lidos por muitas pessoas, também os apresentam para um público novo, podendo ser uma ótima ferramenta para incentivar o acesso ao universo literário desde cedo.

Então deixamos as sugestões abaixo para que as HQs ganhem cada vez mais espaço nas nossas estantes e listas de leituras!

Macunaíma em quadrinhos

Nunca houve um herói como Macunaíma. E nunca houve uma adaptação de sua história como esta. Com uma incrível riqueza de imagens e cores, Angelo Abu e Dan X recriam de maneira vigorosa a saga imaginada por Mário de Andrade sobre um personagem singular, a quem falta caráter, mas sobra carisma – e preguiça. Macunaíma nasce índio, se transforma em um belo e loiro príncipe, encontra seres fantásticos da Floresta Amazônica, enfrenta armadilhas e perigos e viaja à cidade grande com seus irmãos em busca de mais confusões e enrascadas. Uma história que se traduz com perfeição aos quadrinhos, em uma versão que se mostra tão divertida e irreverente quanto a obra original. Este é o 15º álbum da coleção Clássicos em HQ. + COMPRE NA AMAZON

Os Sertões: a luta

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Baseado no trabalho testemunhal de Euclides da Cunha sobre a campanha de Canudos, Os sertões é uma das obras mais contundentes da nossa literatura. Nela, o autor expõe a violenta repressão sofrida pelos seguidores de Antônio Conselheiro, ao mesmo tempo que narra a nossa nacionalidade em formação. Neste romance gráfico livremente inspirado no clássico brasileiro incontornável, somos lançados para dentro da luta, para o coração do confronto entre um movimento messiânico sertanejo e as Forças Armadas do país. Através da tensão dramática do roteiro de Carlos Ferreira e dos traços sombrios e torturados do desenho de Rodrigo Rosa, o principal episódio de Os sertões ganha uma visão singular e poderosa. + COMPRE NA AMAZON

Leia mais – “Sertões: a luta” e a resistência em quadrinhos

Vidas secas: graphic novel

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Um dos mais importantes romances da literatura nacional em quadrinhos Vidas secas: graphic novel une o traço do premiado quadrinista Eloar Guazzelli ao texto clássico de Graciliano Ramos. Com roteiro de Arnaldo Branco ― responsável pela adaptação em HQ de outros clássicos da literatura brasileira, como Véu de noiva e O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues ―, a história da jornada da família de retirantes sertanejos em busca de água, comida e melhores condições de vida ganha ritmo. Respeitando o texto original, esta graphic novel transforma e dá nova dimensão ao romance, consolidando-o como a história de um Brasil, infelizmente, mais que atual. + COMPRE NA AMAZON

Dom Casmurro

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Com ilustração de Rodrigo Rosa e roteiro de Ivan Jaf, o clássico literário Dom Casmurro ganha nova versão em quadrinhos. Obra de Machado de Assis lançada em 1899, trata a história de Bento Santiago, um jovem rapaz prometido a padre, mas que descobre uma paixão por sua amiga de infância, Capitu. Bento é o narrador da própria trajetória e tenta na velhice “atar as duas pontas da vida”. Nesta HQ, o leitor é enredado no turbilhão das memórias de Bento e da dúvida que o assombra. Um grande clássico com imagens que emocionam e mantêm o lirismo de seu mistério. + COMPRE NA AMAZON

O conto da aia: graphic novel

Tudo o que as Aias usam é vermelho: como a cor do sangue, que nos define. Offred é uma aia da República de Gilead, um lugar onde as mulheres são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades. Ela serve na casa do Comandante e de sua esposa, e sob a nova ordem social ela tem apenas um propósito: uma vez por mês, deve deitar-se de costas e rezar para que o Comandante a engravide, porque em uma época de declínio da natalidade, Offred e as outras Aias têm valor apenas se forem férteis. Mas Offred se recorda dos anos anteriores a Gilead, quando era uma mulher independente, com um emprego, uma família e um nome próprio. Hoje, suas lembranças e sua vontade de sobreviver são atos de rebeldia. Provocante, surpreendente, profético. O conto da Aia é um fenômeno mundial, já adaptado para cinema, ópera, balé e uma premiada série de TV. Nessa nova versão em graphic novel, com arte arrebatadora de Renée Nault, a aterrorizante realidade de Gilead é trazida à vida como nunca antes. + COMPRE NA AMAZON

Leia mais – Os Testamentos (Margaret Atwood): a resistência é individual, coletiva e por meio das palavras

A revolução dos bichos – HQ

Odyr passou os últimos anos envolvido numa empreitada desafiadora: transformar em quadrinhos um dos maiores clássicos da literatura mundial, A revolução dos bichos. Em tinta acrílica, fazendo com que cada página se tornasse uma verdadeira obra de arte, o gaúcho deu forma à narrativa de George Orwell ― e a personagens antológicos como os porcos Napoleão e Bola-de-Neve. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945, essa breve narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. Mas não só. Mais de sessenta anos depois, A revolução dos bichos se tornou uma alegoria universal sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão de grandes ideias e projetos de revolução política. + COMPRA NA AMAZON

1984: edição em quadrinhos

No traço magistral do artista paulistano Fido Nesti, a obra mais poderosa de George Orwell ganha sua primeira adaptação para os quadrinhos. 1984 conta a história do angustiado Winston Smith, refém de um mundo feito de opressão absoluta. Em Oceânia, ter uma mente livre é considerado crime gravíssimo. Numa sociedade em que a mentira foi institucionalizada, Winston se rebela e, em seu anseio por verdade e liberdade, arrisca a vida ao se apaixonar por uma colega, a bela Julia, e se voltar contra o poder vigente. Publicada originalmente em 1949, a profecia de Orwell encontra seu rosto neste romance gráfico extraordinário. + COMPRE NA AMAZON

Fahrenheit 451: a adaptação autorizada

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Ao lado de Admirável Mundo Novo e 1984, Fahrenheit 451 é uma das maiores obras-primas de ficção-científica de todos os tempos. O título refere-se à temperatura em que os livros queimam – 451 graus Fahrenheit ou 233 graus Celsius. Em uma sociedade futura distópica em que ter opinião própria é considerado uma conduta criminosa, todos os livros são proibidos. E a função dos bombeiros não é apagar incêndios, mas sim destruir pilhas e pilhas de literatura para que a sociedade viva sem conflitos. Nessa brilhante adaptação para graphic novel, Tim Hamilton teve o aval de Ray Bradbury na introdução, que diz: “O que você tem diante de si agora é mais um rejuvenescimento de um livro que já foi um curto romance, que já foi um conto, que já foi uma caminhada ao redor do quarteirão, um levante do túmulo e uma queda final da casa de Usher. Meu subconsciente é mais complicado do que eu imaginava. Aprendi com os anos a deixá-lo correr sem limites e me oferecer suas ideias assim que surgiam, sem dar preferência e sem tratamento especial. Quando chega a hora certa, de algum jeito elas se juntam e entram em erupção, jorrando de meu subconsciente e se derramando nas páginas. No caso da versão final de Fahrenheit 451, ilustrada aqui, eu trouxe todos os meus personagens ao palco outra vez e os repassei pela máquina de escrever, deixando meus dedos contarem as histórias e desenterrarem os fantasmas de outras histórias e outros tempos.” + COMPRE NA AMAZON

Frankenstein em quadrinhos

Nesta edição, a artista plástica Taisa Borges é a responsável pela bela versão em linguagem de HQ da narrativa criada pela inglesa Mary Shelley em 1817. A terrível trajetória de Victor Frankenstein é ilustrada de forma a alcançar em imagens toda a delicadeza e profundidade dos temas que atravessam a história e que ainda hoje ecoam na cultura, como as contradições que envolvem o desenvolvimento da ciência frente aos mistérios da natureza, o desejo de realizações grandiosas em contraponto ao sossego da vida doméstica, a dificuldade de o homem exercer uma conduta acolhedora frente a um outro radicalmente diferente. + COMPRE NA AMAZON

A Divina Comédia em quadrinhos

A Divina Comédia em quadrinhos é a transposição para a linguagem da HQ do poema épico de temática religiosa de Dante Alighieri. Esse grande clássico renova-se nas aquarelas de Piero Bagnariol, que se esmerou na tradução em imagens da obra reconhecida como a mais rica fonte da cosmovisão medieval, retratada por mestres como Botticelli, Doré e Dalí. Enquanto se dedicou à pesquisa iconográfica, Piero contou com a parceria de seu pai, Giuseppe Bagnariol, para elaborar roteiros de passagem entre trechos do texto original. Trechos que, por sua vez, foram escolhidos pela dupla com o suporte da especialista na obra dantesca Maria Teresa Arrigoni, que também orientou a escolha das traduções – Jorge Wanderley para o Inferno e Haroldo de Campos para o Paraíso. A tradução do Purgatório é de Henriqueta Lisboa, autora cuja obra está nas mãos da Editora Peirópolis. Um grande encontro de talentos e esforços para oferecer aos leitores a melhor tradução d’A Divina Comédia, em todos os sentidos. Piero e Giuseppe Bagnariol criaram também um blog para dar vazão a toda a pesquisa realizada para a obra, chamado Divina Comédia HQ. + COMPRE NA AMAZON

A morte de Ivan Ilitch em quadrinhos

Obra do escritor russo Liev Tolstói, publicada em 1886, retrata a história de um juiz de instrução bem posicionado socialmente que fica doente de uma hora para outra. Ao se confrontar com a morte, Ivan Ilitch começa a perceber o vazio de uma vida baseada em aparências. Sua percepção se amplia à medida que observa a reação à doença da família e dos colegas de trabalho, para quem ele havia se tornado um estorvo a ser evitado. A narrativa, célebre pela profundidade que atinge em menos de cem páginas, é um acerto de contas de Ivan Ilitch consigo mesmo, quando se vê na mais absoluta solidão. Considerada por muitos literatos a mais perfeita novela da literatura universal, A morte de Ivan Ilitch ganha versão em HQ pelas mãos do quadrinista Caeto (premiado por Memória de elefante), com base na tradução de Boris Schnaiderman. + COMPRE NA AMAZON

O diário de Anne Frank em quadrinhos

Edição especial em HQ de um dos livros mais importantes do século XX. A única edição autorizada pelo Anne Frank Fonds. Lançado em 1947, O diário de Anne Frank tornou-se um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante e impressionante das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus faz deste livro um precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX. Nas páginas de seu diário, Anne Frank registra as impressões sobre esse longo período no esconderijo. Alternando momentos de medo e alegria, as anotações se mostram um fascinante relato sobre a coragem e a fraqueza humanas e, sobretudo, um vigoroso autorretrato de uma menina sensível e determinada, cuja vida foi tragicamente interrompida. + COMPRE NA AMAZON

O processo: HQ

Essa HQ adapta a história de Joseph K., que é preso sem explicação e forçado a enfrentar um sistema jurídico absurdo. O labirinto no qual ele acaba se perdendo é aquele dá origem ao termo “kafkaniano”. Um retrato da burocracia autoritária, tão atual e relevante hoje quanto quando foi escrito. + COMPRE NA AMAZON

Leia mais: O Processo (Franz Kafka)

O sol é para todos: graphic novel

Um dos maiores clássicos da literatura mundial em graphic novel. Nesta emocionante história ambientada no Sul dos Estados Unidos da década de 1930, região envenenada pela violência do preconceito racial, vemos um mundo de grande beleza e ferozes desigualdades através dos olhos de uma menina de inteligência viva e questionadora, enquanto seu pai, um advogado local, arrisca tudo para defender um homem negro injustamente acusado de cometer um terrível crime. Uma história sobre raça e classe, inocência e justiça, hipocrisia e heroísmo, tradição e transformação, O sol é para todos permanece tão importante hoje quanto foi em sua primeira edição, em 1960, durante os anos turbulentos da luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. O sol é para todos ganhou o Prêmio Pulitzer em 1961 e deu origem a um filme homônimo, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado, em 1962. Lançado há seis décadas até hoje vende mais de um milhão de cópias por ano em língua inglesa. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. + COMPRE NA AMAZON

Sapiens (edição em quadrinhos): o nascimento da humanidade 1

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Nesta versão graphic novel de Sapiens: Uma breve história da humanidade, que vendeu mais de 16 milhões de exemplares em sessenta idiomas mundo afora, você é convidado a viajar pelo lado selvagem da história, acompanhado por personagens como Bill Pré-Histórico, dra. Ficção e detetive Lopez, e tendo o historiador e filósofo Yuval Noah Harari como guia. Com roteiro do belga David Vandermeulen e arte do francês Daniel Casanave, o formato HQ dá uma nova perspectiva ao passado e às nossas origens. A evolução humana é repensada como um reality show. O primeiro encontro entre os sapiens e os neandertais se dá através das obras-primas da arte moderna. A extinção dos mamutes e dos tigres-dentes-de-sabre é recontada como um filme policial.
Esta série em quadrinhos é uma versão radical da história da humanidade, recheada de inteligência, humor e personagens pitorescos, e pensada para cativar quem gostaria de saber, entre outros assuntos, como um reles primata se tornou governante do planeta Terra, capaz de dividir átomos, viajar à Lua e manipular o código genético da vida. + COMPRE NA AMAZON


Leia mais: 23 HQs que você precisa ler antes de morrer!

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Bruna Bengozi
Bruna é mestra em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".
Artigos: 239

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