10 escritoras africanas que precisamos ler

Listas

O continente africano, nosso vizinho, ali do outro lado do oceano, produz uma literatura incrível. Homens e mulheres africanas estão se destacando nas cenas literárias no mundo inteiro. Um exemplo é a escritora Chimamanda Ngozi Adichei, que é da Nigéria e possui livros traduzidos em muitos países. Além dela, outras escritoras se destacam, por isso confira abaixo 10 escritoras africanas que precisamos ler.

1. Ken Bugul (Senegal)

Nasceu em 1947 e foi criada em um ambiente polígamo. Estudo na Bulgária e quando voltou para sua cidade, toronou-se a 28ª esposa de um homem de sua aldeia. Após a morte dele, Ken Bugul mudou de cidade, começou a trabalhar em um ONG com projetos sociais muito importantes. A sua literatura possui um estilo muito próprio, dizem, porém, aqui no Brasil não temos nenhuma obra dela.  A escritora recebeu um importante prêmio africano por seu romance Riwan ou o Chemin de Sable em 2000. Tornou-se mais conhecida por seu romance chamado The Abandoned Baobab, que é seu único livro traduzido para o inglês.

2. Paulina Chiziane (Moçambique)

“Negra de origem humilde, Paulina Chiziane teve de percorrer um longo caminho até se firmar como escritora. Primeira mulher moçambicana a publicar um romance, a autora faz uma literatura ligada às suas raízes culturais, abordando temas femininos num país em que a atividade é exercida quase em sua totalidade por homens.” Um de seus livros mais conhecidos é Niketche, queconta a história de Tony, um alto funcionário da polícia, e sua mulher Rami, casados há vinte anos. Certo dia, Rami descobre que o marido é polígamo: tem outras quatro mulheres e vários filhos. As esposas de Tony estão espalhadas pelo país: em Maputo, em Inhambane, na Zambézia, em Nampula, em Cabo Delgado. Numa decisão surpreendente, Rami decide ir atrás das mulheres do marido.”

3. Nawal El Saadawi (Egito)

Famosa por sua literatura sobre mulheres (romances, contos, teatro e não ficção), Saadawi é conhecida como a primeira mulher árabe a ter escrito sobre sexo e sua relação com a economia e a política. Por suas opiniões, chegou a ser presa, mas continuou a lutar contra todas as formas de discriminação de classe, no gênero, nacionalidade, raça ou na religião. Livros dela aqui no Brasil ainda não temos. Alguns estão disponíveis na Amazon, em eBook, em inglês: Memoirs of a Woman DoctorThe Fall of the ImamWalking through Fire: The Later Years of Nawal El Saadawi, entre outros. 

4. Fatema Mernissi (Marrocos)

Fatema Mernissi é uma socióloga e feminista marroquina. Atualmente é professora na Universidade Muhammad V em Rabat. É graduada em Ciências Políticas. Em seu livro “Nasci num Harém“, Fatima narra as suas memórias e os sonhos e fantasias das mulheres que a viram crescer. Mulheres a quem o mundo exterior era interdito e que usavam o puro poder da imaginação para o recriar. Por entre o inebriante aroma a incenso e a suavidade dos véus multicores, ela viveu uma infância exuberante e mágica, mas também isolada e com pouco ou nenhum contacto com a realidade.”

5. Ama Ata Aidoo (Gana)

Ama Aita Aidoo nasceu em 1942, escreve romances, contos e poesias. Em seus livros, ela “explora a vida pós-colonial em Gana com sua honestidade e humor característicos. A tradição luta com novas influências urbanas enquanto os africanos tentam classificar sua identidade em uma cultura em mudança. Fiel à tradição da narrativa africana, os personagens ganham vida através de suas distintas vozes e fala. Se não há doçura, há o sal essencial à vida, mesmo que venha das lágrimas, ea força que vem de uma história de resistência.” Outra escritora que ainda não chegou no Brasil, mas há alguns livros dela em eBook, na Amazon: No Sweetness Here and Other StoriesAfter the Ceremonies: New and Selected Poems, entre outros. 

6. Buchi Emecheta (Nigéria)

A escritora morreu neste ano, aos 72 anos. “Como romancista e ensaísta, encontra-se entre os escritores mais prolíficos de África. Publicou romances para adultos, uma autobiografia, diversos ensaios e livros para meninos. Com a excepção da obra mais aclamada pela crítica, The rape of Shavi (1983), os seus romances foram escritos num estilo documentalista. Ao longo do seu percurso literária aprecia-se como Emecheta experimenta a técnica narrativa e a mulher, uma temática ignorada durante muito tempo por escritores masculinos africanos. Por tudo isso, conseguiu que a maioria da sua crítica tivesse sido, até ao momento, positiva.” (fonte: Casa Africa)

7. Yvonne Vera (Zimbabwe)

Considerada uma das vozes feministas mais importantes da literatura escrita em língua inglesa. “Através de suas obras, Vera nos apresenta a sociedade zimbabuense, sob o olhar de uma mulher, ou seja, é através de um narrador, geralmente do sexo feminino, que acompanhamos seus enredos e tramas. Ela ainda localiza os lugares em que a opressão e o silenciamento dessas mulheres se encontram, nas mãos de um governo opressor e no âmbito familiar, sendo ambos regidos por uma conduta de valores patriarcais tradicionais africanos.” (Fonte: Abralic). Alguns livros estão disponíveis em eBook (em inglês): The Stone Virgins: A Novel e Butterfly Burning: A Novel.

8. Warsan Shire (Quênia)

Warsan Shire nasceu em 1988 é uma escritora, poeta, editora e professora. Dizem que um de seus livros será publicado aqui no Brasil, mas não há previsão das datas. No site Leia Mulheres você pode ler mais sobre a autora, incluindo a tradução para o português de um de seus poemas. Na Amazon você encontra o eBook do livro Teaching My Mother How to Give Birth

9. Léonora Miano (Camarões)

Léonora começou cedo, escreveu suas primeiras poesias aos 8 anos de idade. Em 1991, mudou-se para a França para estudar literatura. Publicou em 2005 seu primeiro romance. Aqui no Brasil temos disponível a obra “Contornos do dia que vem vindo“. Sinopse: “Depois da guerra que devastou Mboasu, um país africano imaginário, os pais não conseguem mais cuidar de seus filhos. Estes são expulsos de casa, acusados de serem a causa de todos os males. Contornos do dia que vem vindo conta a trajetória de uma dessas crianças: uma menina chamada Musango, determinada a reencontrar sua mãe para, assim, compreender a sua própria história. Ao acompanharmos a busca de Musango, testemunhamos a angústia e o crescimento de uma criança perdida no meio de um país atormentado pela violência, pela prostituição e pela superstição religiosa. O olhar com que a jovem observa a África, o seu povo e a vida, que ama e odeia ao mesmo tempo, é o de alguém que foi obrigado a crescer rapidamente, mas que, apesar disso, segue cheio de esperanças no futuro.”

10. Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria)

Chimamanda é muito amor. Acredito que desta lista, é a mais conhecida, por já ter diversos livros traduzidos aqui no Brasil e no mundo. Aqui no site tem resenha do livro Americanah, o mais recente romance da autora. É dela também: Hibisco Roxo, Meio Sol Amarelo, Sejamos Todos Feministas e Para educar crianças feministas.


 

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.
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